Na noite do dia 12 de janeiro, dezenas de pessoas se reuniram no Centro de Cultura Ouvidor 63 em São Paulo, a maior ocupação cultural da América Latina. O espaço próximo ao Vale do Anhangabaú abriga cerca de 100 residentes, entre brasileiros do Pará, Rio de Janeiro, Bahia e de países como Venezuela, Colômbia e Equador. Nos moldes de grandes ocupações da cidade, como a Tacheles, em Berlim, e a 59 Rivoli, em Paris, a 63 funciona como uma incubadora cultural. Enquanto fortalece a troca de conhecimentos entre artistas multidisciplinares e possibilita que eles tenham espaço e moradia para desenvolver suas obras, promove oficinas de dança, arte de rua, artes plásticas, música, circo, performance e o Bazar 63 todas as semanas.
O encontro tinha como objetivo discutir o tema da Revolução Rojava e a importância do movimento de mulheres na luta revolucionária no Curdistão e suas similaridades com as lutas locais das mulheres brasileiras, assim como discutir quais são as experiências e temas os quais podem ser abordados com um olhar e prática mais próxima da vivida pelo movimento de mulheres do Curdistão.
Organizado pela CAFI – Coletiva Anarcofeminista Insubmissas e a Brigada Internacionalista Irmã Dorothy, a companheira Rojda Dandara, que esteve presente na Rojava durante meses trabalhando com o movimento de jovens mulheres e o movimento cultural.
No dia 7 deste mês foi realizado o primeiro encontro no Centro de Cultura Social de São Paulo – um coletivo anarquista, fundado em 1933 na cidade com o objetivo de ser um ambiente de estudos e debates, para discutir o tema da Revolução Rojava e a importância do movimento de mulheres. Sobre o evento, a companheira Rojda disse o seguinte:
“ A inter-relação de jovens de diferentes histórias, aspirações culturais e etnias da Abya Ayla, comprometidos com a busca pela liberdade, pelo autoconhecimento, pelo livre pensamento, pela troca artística, pelos direitos humanos, pela diversidade de gêneros e sexualidade, dão vida e cor ao Centro de Cultura Ouvidor 63. Quero agradecer a troca, aos ensinamentos, a escuta e aos pensamentos reflexivos que juntos construímos. Questões importantes serão levadas à Rojava, outras foram plantadas para serem germinadas aqui, pois só conseguiremos resistir ao sistema opressor e ao fascismo se unirmos forças e lutarmos com esperança, organização e determinação. O Centro de Cultura Ouvidor 63 é um espaço que representa o Espirito da juventude, da beleza e do amor, pois pessoas que lutam tornam-se livres e, consequentemente, belas por serem amadas”.